
(estrofe 1) Israel perdeu a batalha, e surgiu uma explicação, Um homem carregava, segundo o texto, a transgressão; E a derrota de muitos foi ligada à sua ação, Como se o céu revelasse a causa daquela frustração. (estrofe 2) Acã tornou-se o nome colocado no centro da questão, Sua escolha particular alcançou toda a congregação; O destino de um exército pareceu depender de uma decisão, E a derrota ganhou sentido dentro daquela interpretação. (estrofe 3) Mas nem toda derrota possui uma causa que se pode enxergar, Nem todo fracasso permite ao homem saber quem deve culpar; Há acontecimentos que simplesmente podem acontecer, Sem que uma sentença do alto precise os explicar. (estrofe 4) Jesus não ensinou a procurar culpados para cada aflição, Nem fez da desgraça alheia prova de condenação; Quando lhe perguntaram sobre sofrimento e punição, Ele desmontou a ligação automática entre culpa e aflição. (refrão) ACÃ COMO RESPONSÁVEL PELA DERROTA, NÃO É UMA VERDADE QUE JESUS ME ENSINA OU ME IMPÕE; TRANSFORMAR O FRACASSO COLETIVO EM CULPA DE UM SÓ É UMA LEITURA HUMANA QUE O EVANGELHO QUESTIONA E REPÕE. (estrofe 5) Certa vez perguntaram por vítimas de uma crueldade, Se aquela tragédia revelava alguma grande maldade; Jesus não transformou os mortos em réus da fatalidade, Nem fez do sofrimento alheio prova de sua culpabilidade. (estrofe 6) Também falou daqueles sobre quem caiu uma torre, Sem declarar que eram piores porque a morte os socorre; A dor não recebeu uma explicação que ao culpado acorre, E Jesus recusou que o sofrimento sempre denuncie quem erra. (estrofe 7) Assim, uma derrota pode ter muitas razões humanas, Estratégias equivocadas, circunstâncias inesperadas ou falhas soberanas; Mas atribuir cada revés a transgressões ocultas e profanas É transformar hipóteses religiosas em certezas desumanas. (refrão) ACÃ COMO RESPONSÁVEL PELA DERROTA, NÃO DEFINE O DEUS QUE JESUS ME REVELA E ME ENSINA; NÃO PRECISO ENXERGAR CASTIGO DIVINO EM CADA DERROTA, QUANDO CRISTO RECUSA ESSA LÓGICA COMO EXPLICAÇÃO DEFINITIVA. (estrofe 8) A causalidade antiga procurava ordem no que acontecia, E ligava o céu ao campo de batalha quando a sorte se invertia; Se o povo perdia, alguma culpa escondida se descobria, E assim a religião dava sentido àquilo que ninguém entendia. (estrofe 9) Hoje sabemos que resultados nascem de fatores variados, De escolhas, recursos, contexto e caminhos entrelaçados; Uma batalha pode terminar por motivos inesperados, Sem que cada insucesso revele pecados previamente declarados. (estrofe 10) Por isso, leio Josué sete sem fugir da sua expressão, Mas também sem transformar sua explicação em eterna definição; Se Acã foi apresentado como causa daquela situação, Posso entender que ali existe uma antiga interpretação. (ponte) Quanto falhei tomando explicações antigas como revelação, Como se toda causa atribuída a Deus trouxesse sua assinatura e aprovação; Eu não distinguia acontecimento, interpretação e inspiração, E hoje peço perdão por ter fechado a porta ao discernimento e à reflexão. (refrão) ACÃ COMO RESPONSÁVEL PELA DERROTA, NÃO É O DEUS DE JESUS QUE PRECISO DEFENDER; SE UMA ANTIGA TRADIÇÃO EXPLICOU ASSIM A DERROTA, EU POSSO QUESTIONAR ESSA LEITURA SEM DEIXAR DE CRER. (refrão final) Agora descanso em Jesus, Deus de eterno amor, Jamais diferente disso conosco, seja qual for a nossa dor; Nele não preciso transformar fracasso em sentença do Senhor, Pois quem revela o Pai é Jesus: misericórdia, graça e amor.

