
[Intro] (Viola Caipira playing a rhythmic Cateretê strumming) (A lively, catchy intro) [Verse 1] Dois domingos depois, o telefone tocou Foi a primeira vez que o primo me chamou Disse: "Vamos sair, ver o que o progresso criou" Na esquina da rua, um tal 'Salão-Bar' inaugurou Obra de Zunino e Zungri... o dinheiro ali sobrou [Verse 2] Fui com resignação, sem ter muita vontade O lugar era o símbolo da tal modernidade Luz forte que cega, sem nenhuma intimidade Mesas de ferro frio, servindo a vaidade O primo achava chique, aquela calamidade Pedimos dois copos de leite... quanta felicidade! [Chorus] (Stronger, slightly humorous tone) Ele alisou o bigode e foi direto ao ponto "Primo Borges, escuta, não me tome por tonto Meu poema é um tesouro, disso eu não desconto Mas precisa de um prólogo, pra aumentar o seu conto!" [Verse 3] "Fale com o Álvaro Lafinur, aquele autor de desponte Peça pra ele escrever... pra servir de horizonte" Eu balancei a cabeça, fiz a confirmação "Pode deixar, primo Carlos, tá na minha mão!" Mas por dentro eu sabia... era tudo invenção [Bridge] (Viola Solo - Mischievous sound) [Verse 4] Prometi falar quinta, num jantar do Clube de Leitura (Um jantar que não existe, pura e simples impostura) Saí de lá decidido, mantendo a postura Mas assim que dobrei a esquina, mudei a figura O tal pedido do Álvaro... foi pra sepultura Resolvi não fazer nada, com a maior cara dura! [Outro] O telefone tocou a semana inteira... (Pause) Eu não atendi. (Viola slows down) Deixei o primo e o prólogo... comendo poeira. (Final sharp strum)

