Modo combate, irmão Coração blindado, som na mão Não é arte, é munição Então escuta: Se a arte é um gesto humano Por que cês tratam feito propaganda? Medem minha alma por curtida E cobram flow como se fosse demanda É tudo máquina, click e performance O feed quer grito, não quer nuance Quer constância, entrega, urgência Mas minha caneta escreve em resistência Artista hoje vira conteúdo Posta dor com filtro no fundo A música nem respira mais Só corre pra bater o segundo Mas eu não sou seu trending topic Sou bomba-relógio lírica E cada pausa que eu deixo É um tapa na estética cínica Modo combate — mente afiada Cada verso é bala traçada Modo combate — sem simpatia Meu flow é greve, é rebeldia Escravizaram a musa na fábrica Burnout virou estética clássica Produtividade sem alma, sem pausa Criar pra morrer — essa é a causa? Foda-se o engajamento Foda-se a estética do momento Faço arte de veneno e pimenta Pra queimar seu algoritmo lento Eles querem famoso, não artista Rosto bonito na pista Mas eu sou rascunho, sou margem Sou o grito que não cabe na imagem E o céu azul desaba Quando a alma trava Mas nesse silêncio, parceiro Eu carrego a minha lava Modo combate — não vem moldar Cada beat é soco pra acordar Modo combate — minha voz é faca Que corta o teatro dessa farça Modo combate... Eu não posto, eu protesto Eu não sigo, eu contesto Eu não cedo... eu manifesto. Ragga style fi’ di real one Tipo tambor, minha boca vira shotgun Falo o que penso, não sigo script Sou tempestade fora do tweet Cada sílaba minha rasga tipo gilete Não cabe na trend, nem no seu app Babilônia quer vender minha alma Mas eu tô blindado — rima é minha arma Palco é trincheira, voz é granada Se for pra morrer, que seja na palavra Não vim fazer vibe, vim fazer revolta Modo combate — minha rima te revolta