
POÉTICA DA RUÍNA (PORTUGUÊS)
[Intro: Muffled city sounds, industrial hammer clang, vinyl crackle] [Spoken Word - intimate, deadpan delivery, dry mix] Fala, porra... tô aqui. Tô de pé nos escombros. Diz que é hoje. É hoje. [Verse 1: Dreamy synth pads, slow piano chords] Não é coragem, é falta de opção, caralho. Rasgar o peito pra ver se ainda tem fiação elétrica ali dentro. Essas visões… são fantasmas de prédios que eu nunca construí. O relógio não corre, ele arrasta. Tic-tac é o som da marreta na minha têmpora. [Pre-Chorus: Building tension, ethereal humming] Construir algo? Só se for o meu próprio abrigo antiaéreo... Porque o amanhã não chega, ele invade. [Chorus: Heavy sub-bass drop, dream pop guitar, explosive emotional belt] Eu sinto o estalo nas juntas quando a verdade morde! O arrepio não é vida, é o curto-circuito do sistema! Tô vivo? Tô. Mas é aquela vida de quem acabou de sair de um soterramento. Onde o pulmão ainda cospe poeira... e o gosto é de ferro e perda. [Bridge: Stripped back, heavy atmosphere, industrial clangs] Eu ia chorar, mas o sal ia enferrujar a estrutura. Engulo o choro e sinto o gosto de concreto líquido. Vem ver o fogo que eu atravessei sem usar porra de bota nenhuma. A solidão não é um vazio, é uma laje de duas toneladas no meu peito. [Final Chorus: Maximum Intensity, soaring psychedelic guitars] Eu sinto o estalo nas juntas quando a verdade morde! O arrepio não é vida, é o curto-circuito do sistema! Tô vivo? Tô. Mas é aquela vida de quem acabou de sair de um soterramento. Onde o pulmão ainda cospe poeira... e o gosto é de ferro e perda. [Outro: Minimalist, fading out to piano notes] Vou seguir, mas não é por força. É por inércia. Vou carregar essa dor... como quem carrega a viga mestre. Vou... erguer essa porra de novo. [Silence] [End]


