
[Verso 1] Chego à obra antes do sol Capacete torto Café na mão Vejo-te passar no passeio estreito Mudas o eixo da construção Tu levas livros na mochila Eu levo cal nas minhas unhas Mas és tu quem escreve a gramática Do meu olhar às tuas curvas [Pré-Refrão] Nem sei se isto rima ou se tropeça Se é soneto ou conversa de esquina Mas quando o teu riso atravessa a rua Até o engenheiro desafina [Refrão] Piropo do trolha É tese de doutor Estudo o teu passo Defendo este amor Não é assobio É declaração Arquitetura em composição Piropo do trolha Poesia frontal Falo com respeito Sou profissional Se dizes "não" Eu baixo o tom Mas que és obra-prima Isso eu sei que és (meu betão) [Verso 2] Tu ris e chamas-me poeta Eu rio e finjo que é casual Mas decoro a cor da tua camisola Como quem lê um editorial Se te atraso o dia com palavras Prometo pagar horas extra ao destino Só não me peças para ficar calado Quando o dicionário cai no teu caminho [Pré-Refrão] Não trago flores Trago argamassa Pra ver se o futuro não desaba Mas basta um gesto do teu braço E desmorona-se a minha defesa toda [Refrão] Piropo do trolha É tese de doutor Estudo o teu passo Defendo este amor Não é assobio É declaração Arquitetura em composição Piropo do trolha Poesia frontal Falo com respeito Sou profissional Se dizes "não" Eu baixo o tom Mas que és obra-prima Isso eu sei que és (ai pois és) [Ponte] Se um dia quiseres Mudo de obra Troco o cimento por conjugação Conjugo contigo o verbo "ficar" No presente No futuro Na canção [Refrão] Piropo do trolha É tese de doutor Estudo o teu passo Defendo este amor Não é assobio É declaração Arquitetura em composição Piropo do trolha Grito imortal Largo a enxada Viro-lírico total Se o mundo cai Eu ponho o tom Que tu és obra-prima Isso eu sei que és (meu betão)

