
Peguei minha égua baia, que tem nome de Guria, e fui roubar uma prenda nas bandas de Vacaria. Seu pai era valente, mordia abelha e cuspia, armado até os dentes, aquilo era covardia. Mas eu estava preparado, também me organizei: espingarda de dois canos, eu mesmo que carreguei. Também tinha um trinta e oito e cinco caixas de bala, uma peixeira argentina corta muito e não fala. Não quero ninguém comigo, esse assunto é só meu, vou trazer aquela china só com a ajuda de Deus. Mas se o pai dela impedir, a coisa vai ficar feia, se eu relar no gatilho vai rolar gente na poeira ele me conhece bem, nunca foi com a minha cara; mais eu amo a filha dele, nem querendo ele atrapalha, não volto sem a chinoca, e hoje ninguém me para, se tentar me enfrentar, vai haver chuva de bala, Ao chegar lá na fazenda, fui chegando preocupado, não sabia como estava a coisa do outro lado. Mas a surpresa foi tanta que custei a acreditar: o velho estava mansinho e me convidou pra entrar, me serviu um chimarrao começamos a conversar, me tratando como genro não podia esperar, ver o velho perguntando, quando é que vão casar? ja estou vendo meus netinhos no terreiro a brincar.

