(estrofe 1) Ser solidário é notar, na calçada vazia, O passo cansado de quem perdeu o chão. É repartir o pão e também a companhia, Fazendo do encontro uma extensão da mão. (estrofe 2) É ser ponte firme sobre o rio da aflição, Quando a correnteza ameaça arrastar. É transformar a própria compaixão Em gesto concreto de sustentar. (estrofe 3) Ser solidário é escutar a fome escondida Por trás de um sorriso que tenta resistir. É oferecer presença, abrigo e guarida, Para que o outro volte a prosseguir. (estrofe 4) É como a chuva que desce sem escolher Qual campo merece primeiro florir. É doar-se discretamente, sem querer Outra recompensa além de servir. (refrão) Ser solidário é estender a mão, Quando o sofrimento pede amparo. É fazer do amor uma construção, Onde ninguém enfrenta a dor sozinho e desamparado. (estrofe 5) É carregar um pouco do peso alheio, Como árvore que suporta o ninho e o vento. É abrir no cotidiano um meio Para transformar dor em alento. (estrofe 6) Ser solidário é costurar esperança Nas roupas rasgadas da desilusão. É ensinar ao coração que a bonança Começa na partilha do pão. (estrofe 7) É ser candeeiro na noite do outro, Sem exigir aplauso ou gratidão. É compreender que nenhum rosto Foi criado para viver na solidão. (refrão) Ser solidário é estender a mão, Quando o sofrimento pede amparo. É fazer do amor uma construção, Onde ninguém enfrenta a dor sozinho e desamparado. (estrofe 8) Ser solidário é repartir o tempo, O ouvido atento e a disposição. É fazer do cuidado um templo Erguido no centro do coração. (estrofe 9) É perceber que toda ferida humana Poderia um dia também nos tocar. E que a bondade simples e cotidiana Tem força para reconstruir e curar. (estrofe 10) Ser solidário é transformar a existência Num rio que aprende a se multiplicar. E descobrir que a mais alta ciência É viver para ajudar. (refrão) Ser solidário é estender a mão, Quando o sofrimento pede amparo. É fazer do amor uma construção, Onde ninguém enfrenta a dor sozinho e desamparado.