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OLHO POR OLHO COMO BASE LEGAL

(Estrofe 1) Na lei antiga soava a medida: ferida por ferida, vida por vida, como se a justiça, para ser fiel, precisasse espelhar o golpe cruel. (Estrofe 2) Olho por olho, no peso da balança, freio da fúria, moldura da vingança, norma que ao menos queria conter o ódio sem termo a se estender. (Estrofe 3) Era a justiça do cálculo exato, do dano contado em frio aparato, como quem tenta, no ferro da mão, pôr limite à chama da agressão. (Estrofe 4) Mas mesmo o limite, se vira paixão, pode vestir-se de condenação, e a lei, que queria o excesso travar, podia ensinar o peito a cobrar. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová da reação, que mede a justiça pela retribuição, em Jesus resplandece outra luz: o amor vai mais longe que a lei conduz. (Estrofe 5) Então o Cristo sobe ao monte a falar, e desmonta a lógica do revidar, não para exaltar a humilhação, mas para libertar o coração. (Estrofe 6) “Amai os inimigos”, diz com fulgor, rompendo a corrente do velho rancor, pois quem só devolve o mal recebido permanece ao mal ainda unido. (Estrofe 7) Dar a outra face não é covardia, é recusar à violência a regia, é não deixar que o golpe exterior transforme a alma em espelho da dor. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová da reação, que mede a justiça pela retribuição, em Jesus resplandece outra luz: o amor vai mais longe que a lei conduz. (Estrofe 8) Vejo agora que o mundo ferido faz do acerto um ciclo repetido, como eco em vale de pedra e trovão que devolve ao grito igual proporção. (Estrofe 9) Mas Cristo semeia outro fundamento: vence-se o mal com novo movimento, não alimentando a sua expansão, mas quebrando-lhe a rota com compaixão. (Estrofe 10) Assim o Reino não nasce do aço, nem da revanche que cobra o espaço, mas da coragem de, em pleno dissabor, responder à noite com gesto de amor. (Ponte) Perdoa-me, Senhor, por ter confundido teu santo juízo com troco exigido, e por chamar de teu o deus do revide, quando Jesus mostrou o perdão que divide o ontem de medo do novo viver, e ensina o ferido a não mais ferir. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová da reação, que mede a justiça pela retribuição, em Jesus resplandece outra luz: o amor vai mais longe que a lei conduz. (Refrão Final) Agora descanso em Jesus, meu abrigo, Deus de ternura, jamais de castigo, sei que contigo o amor é a razão, e nunca serás negação do perdão.