
(estrofe 1) Houve silêncios que chegaram sem pedir explicação, E me fizeram escutar o que dizia o coração; Quando o mundo se calava ao redor do meu caminho, Eu encontrava dentro d’alma um espaço só meu, sozinho. (estrofe 2) Na quietude das horas aprendi a contemplar, As nuvens, as árvores, a noite sobre o mar; Coisas que pareciam pequenas ganharam dimensão, E o silêncio transformava o olhar em percepção. (estrofe 3) Houve tardes em que eu simplesmente quis ficar, Sem precisar de companhia, de conversa ou de lugar; Foi nesse recolhimento, sem ruído e sem pressa, Que aprendi que estar comigo também pode ser riqueza. (estrofe 4) Algumas perguntas antigas voltavam devagar, Sobre quem eu era e quem ainda iria me tornar; Não havia resposta pronta para cada indagação, Mas pensar sobre a existência já mudava minha visão. (refrão) Tenho saudades de mim nos silêncios que vivi, Das profundas contemplações que fizeram parte de mim; Foi no silêncio que aprendi a me compreender, E no encontro comigo mesmo comecei a amadurecer. (estrofe 5) Nem todo silêncio era tristeza ou solidão, Alguns traziam descanso, outros inspiração; Havia paz em simplesmente nada precisar dizer, Como se a alma encontrasse espaço para respirar e viver. (estrofe 6) Também descobri que o silêncio pode revelar Aquilo que o barulho costuma sempre disfarçar; Medos, desejos, lembranças, sonhos e contradições Iam lentamente surgindo de minhas próprias reflexões. (estrofe 7) Nas horas contemplativas pensei sobre o infinito, Sobre Deus, sobre o tempo, sobre o que é ser finito; E quanto mais eu pensava no mistério da criação, Mais humilde se tornava minha pequena compreensão. (refrão) Tenho saudades de mim nos silêncios que vivi, Das profundas contemplações que fizeram parte de mim; Foi no silêncio que aprendi a me compreender, E no encontro comigo mesmo comecei a amadurecer. (estrofe 8) Foi também no recolhimento que aprendi a esperar, Sem transformar toda demora em motivo para parar; A paciência foi crescendo como uma árvore discreta, Criando raízes profundas numa alma mais completa. (estrofe 9) Alguns silêncios trouxeram lágrimas escondidas, Outros reorganizaram páginas antigas da vida; Nem sempre compreender era deixar de sofrer, Mas entender o que eu sentia me ajudava a crescer. (estrofe 10) Hoje reconheço o quanto o silêncio me ensinou, Pois muito do que sou naquele tempo começou; Não quero apagar as horas em que fiquei comigo, Porque nelas encontrei perguntas, maturidade e abrigo. (ponte) Lamento as vezes em que fugi da quietude, Buscando no excesso de ruído alguma virtude; Talvez tivesse encontrado, se parasse para sentir, Respostas que somente o silêncio poderia construir. (refrão) Tenho saudades de mim nos silêncios que vivi, Das profundas contemplações que fizeram parte de mim; Foi no silêncio que aprendi a me compreender, E no encontro comigo mesmo comecei a amadurecer. (refrão final) Hoje eu amo quem eu sou e aceito o meu silêncio, Escolho a alegria sem negar o que penso; Se a tristeza vier, também terá seu lugar, Mas minha vida continuará escolhendo celebrar.

