
Estrofe 1 Teu olhar sereno, feito brisa que se espalha, Acalma a dor que o mundo às vezes não trabalha, Em teu silêncio mora a força mais inteira, Como quem guarda o sol na curva da ribeira. Estrofe 2 Da menina à anciã, tua luz é poesia, Em cada gesto teu, Deus desenha harmonia, O universo se curva ao teu perfume leve, Como a flor que ao orvalho se entrega e se atreve. Estrofe 3 Teu toque é consolo que sara o coração, Mais que mil remédios, tua mão é oração, E a tua voz, doce vento que enleva, Com ternura muda o rumo da treva. Refrão Bendito seja Deus, em seu saber profundo, Que ao criar a mulher, embelezou o mundo, Com ternura, graça, sabedoria em flor, És retrato vivo do divino Amor. Estrofe 4 És guardiã da paz nas dores mais caladas, Mesmo em lágrimas, tu guias as jornadas, Das mães às irmãs, das mestras às guerreiras, Toda mulher é farol entre fronteiras. Estrofe 5 Tens no olhar a calma do céu em alvorada, No abraço, o abrigo de uma casa encantada, E ao sorrir, teu brilho vence a escuridão, Como quem carrega o sol nas próprias mãos. Estrofe 6 Com teu passo firme, mesmo em chão ferido, Tu segues semeando vida e sentido, E mesmo exausta, tu és inspiração, Com coragem feita de contemplação. Refrão Bendito seja Deus, em seu saber profundo, Que ao criar a mulher, embelezou o mundo, Com ternura, graça, sabedoria em flor, És retrato vivo do divino Amor. Estrofe 7 Maio, em flor, canta a ti seu louvor sagrado, Com aromas que brotam do campo encantado, És a promessa eterna de um bem maior, Mesmo no inverno, és calor que restaura o melhor. Estrofe 8 Por ti, as estações em festa se vestem, As águas se acalmam, os ventos te seguem, Pois teu olhar, mulher, tem o dom de criar, Uma paz que nenhuma dor pode apagar. Ponte A cada mulher que comigo cruzou estrada, Levo em mim tua marca bem guardada, Se sou quem sou, é porque fui moldado Por teu olhar firme e teu amor doado. Refrão Bendito seja Deus, em seu saber profundo, Que ao criar a mulher, embelezou o mundo, Com ternura, graça, sabedoria em flor, És retrato vivo do divino Amor. Refrão Final Gratidão, mulher, por te deixares guiar Pelo Amor de Deus e por tanto doar, Num mundo tão duro, és doçura real, Tua essência nos faz mais que mortal. EXPLICAÇÃO TEOLÓGICO-POÉTICA DO GALANTEIO O galanteio "Teu olhar é a brisa que apazigua as tempestades da alma" evoca uma verdade espiritual e estética profundamente enraizada na criação do feminino como expressão do consolo divino. A mulher, desde o Gênesis (Gn 2:18-22), é formada não como apêndice do homem, mas como parte inseparável da sua plenitude — "uma auxiliadora que lhe seja idônea". Essa "ajuda" não é subordinação, mas uma revelação da presença de Deus por meio do cuidado, do olhar que escuta, do toque que compreende. A beleza feminina, portanto, não é apenas física, mas transcendente. O espírito feminino é, na visão bíblica e simbólica, o sopro da Ruach, a mesma palavra hebraica para "Espírito" e "vento". A mulher torna-se, então, brisa — não por s

