Era já o crepúsculo De uma parte de mim Que teimosamente acreditava Ainda na luz Era enfim o tempo da safra Dizias tu Crédulo Inundado de uma espécie de infância pura Congelada nos olhos Mas de que serve um breve E forçado assomo de fé Se precisas do sol e só as trevas Te respondem Se desejas entrever o infinito E só escolhos te tolhem as pernas Deixa-me ser esta árvore de ramos frágeis Ao vento À espera que uma aurora Equivocada me ilumine Que uma ave perdida e sem rumo Neles queira morar Se nenhuma aurora Se nenhuma ave Se nenhuma esperança me der Razão para deixar de esperar Então serei eu a dar-te Um após outro Olhos e braços e órgãos Para sacrificares ao teu deus cego