
Voz fugitiva Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* Às vezes na tu’alma que adormece Tanto e tão fundo, alguma voz escuto De timbre emocional, claro, impoluto Que uma voz bem amiga me parece. E fico mudo a ouvi-la como a prece De um meigo coração que está de luto E livre, já, de todo o mal corruto, Mesmo as afrontas mais cruéis esquece. Mas outras vezes, sempre e vão, procuro Dessa voz singular o timbre puro, As essências do céu maravilhosas. Procuro ansioso, inquieto, alvoroçado, Mas tudo na tu’alma está calado, No silêncio fatal das nebulosas.

