NASCI PARA MORRER [Verso 1] Cheguei sem nome, sem memória, um sopro tímido no ar. O mundo abriu a porta e disse: “vem aprender a caminhar”. E cada passo que eu fazia me afastava do que fui, descobri que todo início carrega o fim dentro de si. [Pré-refrão] Porque viver já é partida, mesmo antes de entender. O tempo nasce e se despede no instante em que eu nascer. [Refrão] Sim, às vezes eu me sinto inteiro, às vezes perco quem eu sou. A vida acende o seu primeiro fogo que o vento apagou. E mesmo o medo mais profundo não me impede de dizer: nascer pra morrer, nascer pra morrer. [Verso 2] Cresci tentando ser um porto, mas fui correnteza sem notar. O corpo muda, vira outro, e a alma tenta acompanhar. No espelho, vejo um estranho que insiste em se reconhecer. É que viver é um lento ensaio do que um dia vai morrer. [Pré-refrão 2] Porque nascer é só passagem, um risco aberto no crescer. É ver o mundo me moldando enquanto eu tento me entender. [Ponte] Aceito a vida como estrada que me ensina a florescer. Metade aurora, metade nada, metade sombra a se mover. Eu sigo mesmo sem o mapa, pois sei que ao anoitecer o fim que tanto me esperava me prepara pra renascer. [Refrão final] E quando o fim me toca a face, não me assusto... deixo ser. O fim é só o que desata o nó que eu tentei tecer. Entre o silêncio e o começo, eu escolho compreender: nasci… e agora vou morrer.