Song Cover Image

Meditação guiada no sertão

+ Show full styles
V4.5

Bem vindo, se achegue mais. [Pause] Ache um lugar pra si. Um assento, um chão firme, onde o corpo possa repousar um tanto. Isso! Feito quem chega de caminhada longa e encontra sombra de juazeiro. Pode fechar os olhos, devagar. Ou só baixar a vista, se assim for melhor. Ninguém tá mandando. É só um convite. [Pause] Agora, repare. Repare no corpo assentado. Sinta o peso dele. Sinta onde ele toca o chão. Sinta a firmeza debaixo. Deixe o corpo pesar aí. Soltar as amarras. Se é que dá pra soltar tudo, mas a gente tenta. [Pause] E o fôlego. ah, o fôlego. Coisa que vai e vem sem pedir licença. Já reparou? Tente reparar agora. O ar que entra, meio fresco, não é? E o ar que sai, mais morno um tiquinho. Não precisa mudar nada. Nem forçar respiração funda, nem prender. Só mirar. Mirar esse ir e vir constante. [Pause] Feito vereda estreita que a gente segue o fôlego é um caminho. Um caminho pra dentro. Deixe a atenção pousar aí. Nesse movimento simples. Ar entrando. Ar saindo. [Pause] A cabeça eu sei. Ela não para quieta, não é mesmo? Vem pensamento, vem lembrança, vem preocupação, feito poeira que o vento levanta na chapada. Vem coisa boa, vem coisa ruim. Vem memória teimosa, vem medo sem nome. É assim mesmo. Não brigue com eles. Deixe vir. [Pause] Olhe pra esses pensamentos como quem olha nuvem passando no céu do sertão. Elas vêm, tomam forma e se desmancham. Vão embora. Não são você. São só nuvens na mente. Deixe passar. [Pause] Se perceber que a mente engatou num pensamento, numa história e foi longe, tá tudo certo. É o jeito dela. Com calma, feito quem puxa a rédea de cavalo manso, traga a atenção de volta. De volta pro fôlego. Pra essa sensação simples do ar entrando e saindo. Uma vez. outra vez. Quantas vezes precisar. Sem pressa. Sem raiva. [Pause] Só sentir. Sentir o corpo respirando. Aqui. Agora. Sentir talvez uma tensão no ombro. Uma coceira no rosto. Um calor na mão. Só notar. Sem precisar gostar ou não gostar. É só o que está aí. Nesse momento. A vida se mostrando miúda. [Pause] Aquietar a mente também tem seus perigos, suas manhas. Mas talvez, talvez nesse sossego miúdo, nesse reparar sem briga, a gente encontre um tiquinho de paz. Um chão mais firme pra pisar na travessia que é cada dia. Não é mesmo? [Pause] Fique mais um pouco assim. Só respirando. Só sendo. Neste lugar. Neste tempo. Com tudo que tá aí dentro. A mistura toda que a gente é. [Pause] Bom. O tempo ele corre. Devagarzinho comece a se preparar pra voltar. Sinta de novo o corpo inteiro assentado. Mexa de leve os dedos das mãos, e também dos pés. [Pause] Quando se sentir pronto, pode abrir os olhos devagar. Olhar em volta. Veja as cores, as formas. Como se visse pela primeira vez depois de muito tempo. [Pause] Leve essa quietude com você. Foi só uma parada na vereda. A caminhada continua. Vá em paz.