
(estrofe 1) Na infância da alma eu gritava ao céu, Querendo o brinquedo, o doce, o troféu, Mas o Pai calava, sem me desprezar, Sabendo o que a dor podia me ensinar. ... (estrofe 2) Chorei por amores que não se firmaram, Por sonhos e planos que se despedaçaram, E vi que nas perdas, com tempo e razão, Ganhei mais do que pedi em oração. ... (estrofe 3) Pois quando a resposta foi o silêncio, Aprendi a viver sem ser tão propenso A crer que a emoção decide o melhor — Mas sim o cuidado de um Deus maior. ... (refrão) Deus não faz tudo o que eu peço, Mas atende o que é oração. Me dá o que enche meu peito Com a paz que buscava em vão. ... (estrofe 4) Num dia pedi pra vencer sem dor, Ele me deu a batalha e vigor. Em vez de alívio, me deu direção Para ser forte em tribulação. ... (estrofe 5) Clamei por atalhos, atalhos negou, Me deu estradas onde Ele passou. Não me poupou do caminho estreito, Mas andou comigo, sempre por perto. ... (estrofe 6) Quando roguei que tirasse a angústia, Ele me encheu com calma e astúcia. Me ensinou a habitar a aflição Com serenidade no coração. ... (refrão) Deus não faz tudo o que eu peço, Mas atende o que é oração. Me dá o que enche meu peito Com a paz que buscava em vão. ... (estrofe 7) Não me atendeu por bondade infinita, Para não ver minha alma corrompida. Pois se desse o que tanto implorei, Perderia o que mais amei. ... (estrofe 8) E hoje eu entendo, com calma e luz, Que a oração molda quem segue a cruz. E o que não recebo é prova fiel Que Ele me forma à imagem do Céu. ... (ponte) Obrigado, Senhor, por tanto negar O que sem saber eu quis alcançar. Pois em teu “não” há mais afeição Que em mil “sins” sem direção. ... (refrão) Deus não faz tudo o que eu peço, Mas atende o que é oração. Me dá o que enche meu peito Com a paz que buscava em vão. ... (refrão final) E faz assim com toda pessoa, Pois ama justo, com alma boa. Não dá o que fere, mesmo em paixão — Dá o que abençoa toda criação.

