
Acordei no sonho de viver Manhã de verão, parecia inverno dormia ainda, o dia, sereno À espera que o fosse escrever De fininho, saí dali, sem pressa Passinhos de lã, cheiro a café De chávena na mão e novelo à cabeça O alarme diz-para, a recordar como é Do fundo do poço, sem fundo Que enterra, até ao pescoço, com tudo Contudo, nada é o que parece, ali O mesmo que tapa, é o que nos faz sair esgoto fétido do intestino pensador mal acordado, já no seu melhor Cenários de merda, sempre a criar Nada sabe, apenas o que vai faltar Cabecinha pensadora, voadora, pensa lá acordas e devoras, o que há o novelo em novelas, desenrolado, focado no que não está Conhecido familiar, olha lá Não posso, nunca pude, contigo contar Já provaste o que tinhas a provar Deixa-te de merdas, vai cagar, Já não me assustas, nem me fazes borrar Decidi escrever, liberto Daquele tão conhecido aperto Lavadas as dívidas, com lágrimas É tempo de criar o acerto Decerto que não vai dar, bufou estrondosa Numa cólica eufórica, cómica, irónica, se afirmava O tanto que, nas previsões, já acertou Toda a merda que inventou, criou Joguinhos da mente, que te mente A verdade é demais, poder lidar Previsível é preferível, repetir Tanta merda passada, por vir, assumir Mas, cabecinha pensadora, Onde há fumo, há fogo Onde há merda, há cheiro a jogo Já não tens medos para penhorar Nem sequer culpas, por onde pegar Cabecinha pensadora, voadora, pensa lá acordas e devoras, o que há o novelo em novelas, desenrolado, focado no que não está Conhecido familiar, olha lá Não posso, nunca pude, contigo contar Já provaste o que tinhas a provar Deixa-te de merdas, vai cagar, Já não me assustas, nem me fazes borrar Por ti, aprendi, na vida de merda, viver Por medo de sofrer por fazer sofrer Por ti, descobri, o que fazias tapar Por ti, encobri, a sabedoria de saber criar Por mares de merda, sobejamente navegados De caros perfumes caros, impregnados Já me tinham dito uns diabos Serem, eles mesmos rabos, mal lavados Tive que parar, vento Que fazia navegar, no denso Merda da grossa, se tornou Impossível de não ver, investigou Mero cagalhão pensador, a questionar Passado, presente ou futuro, onde procurar Em todos, em todo o lugar Em todo o momento, ao mesmo tempo, passou a criar Hologramas, pensamentos, tormentos Anda cá, anda cá, Cabecinha Tu e eu temos que ter uma conversinha Pega nas tuas coisinhas e baza É melhor não ficares em casa Podemos sempre falar, ó animal São precisos dentes e lingua, para tal Tens a mania que me podes fazer mal? Põe-te com merdas, põe, ó anormal Não preciso de rabo para te agarrar, ó chavalo Os dentes já te caíram, sem te ter tocado Uma perninha partida, já foste operado O diabo sou eu, e ele meu criado Cabecinha pensadora, voadora, pensa lá acordas e devoras, o que há o novelo em novelas, desenrolado, focado no que não está Conhecido familiar, olha lá Não posso, nunca pude, contigo contar Já provaste o que tinhas a provar Deixa-te de merdas, vai cagar, Já não me assustas, nem me fazes borrar

