
# POÉTICA DA RUÍNA [Vocal Arrangement: Strict male Portuguese / female English duet] [Singer A: Male, Brazilian Carioca accent, dry close-mic, Portuguese only] [Singer B: Female angelic light soprano, crystal-clear voice, English only] [Intro: Muffled distant hammer clangs, room tone, dry breathing close-mic] [Singer A: Aggressive deadpan spoken word, zero reverb] Fala, porra... tô aqui. Tô de pé nos escombros. Diz que é hoje. É hoje. Não é coragem, é falta de opção, caralho. Rasgar o peito pra ver se ainda tem fiação elétrica ali dentro. Essas visões... São fantasmas de prédios que eu nunca construí. O relógio não corre, ele arrasta. Tic-tac é o som da marreta na minha têmpora. Construir algo? Só se for o meu próprio abrigo antiaéreo... Porque o amanhã não chega, ele invade. Eu sinto o estalo nas juntas quando a verdade morde! O arrepio não é vida, é o curto-circuito do sistema! Tô vivo? Tô. Mas é aquela vida de quem acabou de sair de um soterramento. Onde o pulmão ainda cospe poeira... E o gosto é de ferro e perda. [Transition: Hard cut, absolute digital silence for 2 seconds] [Instrumental: Slow intimate 6/8 resonator guitar fingerpicking] [Singer B: Solo angelic female soprano, pure airy head voice, wide celestial plate reverb] Oh, my ghost... Old friend of mine... The ash has dried... I stopped reaching for you... Still you keep me a-liiiive... I'm so sick of starving... Starving for a spark... I know the truth, but what am I to do? I need some air to breathe... So leave me the dark. Oh, my ghost... You turned your chest to stone... 'Cause since you went cold... I've never felt so alone... Still you keep me alive. [Transition: Female voice fades completely, reverb cuts] [Interlude: Faint heartbeat, distant metallic vibration] [Singer A: Male spoken word, Portuguese only, dry whisper] Três filhas da Morte. Eu flertei com as três. Uma me ensinou a desaparecer. Outra, a procurar alívio na madrugada. A terceira me mandou aguentar calado. E eu obedeci às três, porra. Até não saber mais qual daqueles fantasmas era meu. [Singer A: Male talk-singing, cold cynicism, suppressed rage] Eu ia chorar, mas o sal ia enferrujar a estrutura. Engulo o choro e sinto o gosto de concreto líquido. Vem ver o fogo que eu atravessei sem usar porra de bota nenhuma. A solidão não é um vazio, é uma laje de duas toneladas no meu peito. Decente demais pra reclamar. Decadente demais pra ser aceito. Digno demais pra pedir socorro. Vou seguir, mas não é por força. É por inércia. Vou carregar essa dor... como quem carrega a viga-mestra. Vou... Erguer essa porra de novo. [Transition: Sul ponticello cello enters, tense dramatic crescendo] [Singer B: Solo angelic female soprano, English only, soaring crystalline high register] I'm so sick of starving! Starving for a spark! I know we'll turn into dust... Just let me burn till the dawn! Still you keep me alive... So raw... A-liiiive... [Sustained pure female high note, fading into celestial reverb] Alive... Alive... Alive... [Outro: Single resonant acoustic strum, decaying sub-bass hum] [Singer A: Male dry whisper, Portuguese only] Ainda tem alguém aqui. [Sudden stop] [End]

