
(estrofe 1) No horizonte erguida em calma altivez, A montanha repousa em antiga razão, Não corre com rios nem foge do mês, Mas guarda no peito a voz do chão. (estrofe 2) Nuvens passeiam por sua fronte fria, O vento percorre seus longos degraus, E o tempo, cansado da própria correria, Aprende ali a diminuir seus passos. (estrofe 3) Rios nascem tímidos em suas encostas, Como sonhos brotando no ventre da terra, Enquanto o silêncio em camadas compostas Protege o segredo que o tempo encerra. (estrofe 4) Nem o trovão lhe altera a postura, Nem a chuva lhe rouba a expressão, Pois quem conhece a eterna altura Aprende a viver na contemplação. (refrão) Ó montanha antiga que sabe esperar, Guardando séculos no mesmo lugar, Ensina ao homem que o tempo de amar Também se constrói no saber repousar. (estrofe 5) Pastores passaram guiando rebanhos, E trilhas nasceram no pó do caminho, Mas ela permaneceu entre estranhos Como mãe de pedra velando o ninho. (estrofe 6) O sol pinta de ouro suas escarpas, À tarde veste mantos de azul profundo, E à noite recebe as estrelas esparsas Como coro antigo do teto do mundo. (estrofe 7) Mesmo o gelo que beija seu rosto Não rouba a firmeza de sua raiz, Pois sua grandeza não vive no gosto Das horas que passam por um país. (refrão) Ó montanha antiga que sabe esperar, Guardando séculos no mesmo lugar, Ensina ao homem que o tempo de amar Também se constrói no saber repousar. (estrofe 8) A águia circula seu cume distante, E o eco devolve a voz do viajante, Como se a montanha, firme e constante, Traduzisse o silêncio do instante. (estrofe 9) Há sabedoria em sua quietude, Que o mundo apressado não quer ouvir, Pois toda grandeza na plenitude Aprende primeiro a permanecer. (estrofe 10) Assim ela fica, guardiã do tempo, Esculpida em calma pelo Criador, Mostrando que a vida encontra sustento Na paz que amadurece o interior. (refrão) Ó montanha antiga que sabe esperar, Guardando séculos no mesmo lugar, Ensina ao homem que o tempo de amar Também se constrói no saber repousar.

