
(estrofe 1) Cinco reis se esconderam numa cova, Depois da batalha que os fez recuar; Josué os encontrou quando a manhã se renova, E mandou que fossem trazidos para julgar. (estrofe 2) O povo chegou, e os reis foram expostos, Diante dos homens que haviam combatido; Seus pés sobre os pescoços foram postos, Num gesto de triunfo sobre o inimigo vencido. (estrofe 3) Josué lhes disse que não temessem então, Pois os adversários ainda seriam derrotados; A cena celebrava a vitória da nação, Com os reis submetidos, humilhados. (estrofe 4) Depois vieram a morte e a exposição, Seus corpos pendurados até o fim do dia; E o relato preservou aquela execução Como sinal da vitória que Israel vivia. (refrão) OS CINCO REIS EXECUTADOS, Assim o relato registra a vitória militar; Mas o Deus de Jesus não precisa de derrotados Para sua grandeza e seu poder revelar. (estrofe 5) Na lógica antiga, matar o rei inimigo Podia representar o fim da resistência; Era eliminar o centro político do perigo, E confirmar perante todos a própria potência. (estrofe 6) A execução tinha também valor simbólico: O vencedor mostrava quem passou a mandar; O corpo do adversário, exposto ao público, Tornava visível quem conseguira triunfar. (estrofe 7) Mas Jesus inverte o caminho da realeza, E chama grande quem decide servir; Não coloca a humilhação como sua grandeza, Nem manda seus discípulos ferir para vencer ou subir. (refrão) OS CINCO REIS EXECUTADOS, Não revelam, nesta leitura, o Pai de Jesus; O Deus de Cristo não precisa de vencidos humilhados Para fazer brilhar sua verdadeira luz. (estrofe 8) Ao ser insultado, Jesus não retribuiu, E diante da violência não criou vingança; Na própria cruz, segundo Lucas, perdoou, Transformando sofrimento em esperança. (estrofe 9) Se o inimigo fosse somente alguém a eliminar, O amor aos adversários perderia sua razão; Mas Jesus manda justamente amar Quem nos persegue e nos estende a contramão. (estrofe 10) Por isso, posso ler Josué sem negar sua memória, Reconhecendo sua antiga concepção de poder; Mas não preciso chamar essa execução de glória, Se em Jesus outro rosto de Deus consigo ver. (ponte) Quanto falhei por confundir a humilhação do vencido Com uma manifestação legítima da grandeza divina; Tomei o triunfo sobre o adversário submetido Como se fosse a própria vontade de Deus que Jesus ensina. (refrão) OS CINCO REIS EXECUTADOS, Não definem o Deus que Cristo revelou; A execução pertence ao relato de povos em conflito armado, Mas Jesus mostra o Pai que perdoa e jamais abandonou o amor. (refrão final) Agora descanso em Jesus, meu Deus de amor, Nele encontro o Pai que não muda de direção; Jamais seria diferente conosco, Senhor, Pois seu Reino não cresce pela morte ou humilhação.

