
Gosto de Isopor
# GOSTO DE ISOPOR ## (A MALDIÇÃO DO RAIO-X) [Language: Native Brazilian Portuguese, Carioca accent] [90 BPM: Dark psychedelic indie-soul] [Intro: City noise, vinyl crackle, elastic bass] [Male Spoken Word: Dry, sarcastic] É... Eu tô vendo tudo. [Pause] O problema de enxergar demais é perder a capacidade de fingir que tá gostoso. [Verse 1: Restrained nasal tenor, deep groove] Cê vem com esse sorriso de quem salva um vira-lata. Me joga um "tô aqui" com uma atenção tão barata. Me dá um resto de tempo, um carinho em prestação. Achando que essa esmola vai curar meu coração. Me chama de especial, mas não pergunta como eu tô. Quer o crédito do abraço sem saber o que ele custou. [Pre-Chorus: Psychedelic synths, rising tension] A pior merda é que eu saco o seu teatro. Cê posa de bonzinho pra sair bem no retrato. A intenção até é boa, cê jura que tá ajudando... [Beat stops] Mas comer afeto de isopor... [Male Whisper] Só tá me engasgando! [Chorus: Explosive indie-pop, distorted guitar] EU TÔ MORRENDO DE FOME! O BURACO AQUI É FUNDO! QUERIA FECHAR OS OLHOS E ME ENGANAR POR UM SEGUNDO! QUERIA SER TROUXA O BASTANTE PRA ACEITAR SUA DOAÇÃO! MAS MEU FARO NÃO PERDOA QUEM SÓ AGE POR PADRÃO! [Post-Chorus: Psychedelic vocal chops] Isopor! [Echo: Isopor...] TEM VOLUME, NÃO TEM SABOR! [Echo: Não tem sabor...] ISOPOR! [Echo: Isopor...] PARECE AFETO, NÃO TEM CALOR! [Verse 2: Dark bass, sparse trap drums] Eu vejo sua pena, eu conheço seu roteiro. Cê me dá um pedacinho achando que entregou inteiro. Pergunta da minha vida, mas só ouve até a metade. Quer receber meu obrigado pela sua generosidade. É a Decência De Fachada distribuindo compaixão. Dá migalha com uma mão, com a outra cobra gratidão. E eu nem quero um banquete, nem promessa de salvação. Quero um afeto que não venha com manual de obrigação. [Pre-Chorus 2: Wah guitar, tense Rhodes] O pior é que às vezes eu quase aceito esse papel. Faço cara de satisfeito, engulo plástico com mel. Cê diz que é tudo que pode dar... E eu nem tô cobrando mais. [Pause] Só não me vende uma embalagem como se fosse amor de verdade! [Chorus: Full psychedelic groove] EU TÔ MORRENDO DE FOME! O BURACO AQUI É FUNDO! QUERIA FECHAR OS OLHOS E ME ENGANAR POR UM SEGUNDO! QUERIA SER TROUXA O BASTANTE PRA ACEITAR SUA DOAÇÃO! MAS MEU FARO NÃO PERDOA QUEM SÓ AGE POR PADRÃO! [Instrumental Break: Psychedelic jam, wah guitar solo] [Bridge: Minimal bass, intimate spoken word] Sabe qual é a maldição do raio-X? [Pause] Eu vejo a embalagem. Vejo o vazio. Vejo a intenção que cê nem admite. [Distorted guitar note] Mas também vejo meu próprio medo de devolver esse prato e não ter mais nada pra comer. [Male Spoken Word: Vulnerable] Não é que eu não precise de ninguém. É que eu cansei de fingir que qualquer coisa me alimenta. [Build: Rising drums, analog synth swirl] [Final Chorus: Powerful high tenor, gritty falsetto] EU TÔ MORRENDO DE FOME! E NÃO VOU NEGAR QUE TÔ! MAS NÃO PRECISO ENGOLIR O QUE NUNCA ME ALIMENTOU! EU QUERIA SER TROUXA O BASTANTE PRA ACEITAR SUA DOAÇÃO! MAS MEU FARO NÃO PERDOA QUEM SÓ AGE POR PADRÃO! [Post-Chorus: Distorted vocal harmonies] ISOPOR! TEM VOLUME, NÃO TEM SABOR! ISOPOR! PARECE AFETO, NÃO TEM CALOR! [Outro: Bass decays, melancholy guitar] [Male Spoken Word: Dry, resigned] Então guarda aí no bolso sua cota de bondade. Se não tem peito pra dar, não me vende essa amizade. [Pause] Eu sei que nem todo mundo tem o que eu preciso. E tá tudo bem. Mas não vou chamar de alimento o que só ocupa espaço. [Soft falsetto] A intenção pode ser de ouro... [Male Whisper] Mas o afeto... Ainda tem gosto de isopor. [End: Sudden silence]


