
(estrofe 1) Defendo a teologia que nasce do chão da vida, não a que ergue tribunais na praça ressentida; pois se a verdade é chama, não é lâmina ferida, é luz que cura a mente e reconstrói a ferida. (estrofe 2) Houve quem vestisse Deus com toga inquisitorial, confundindo zelo santo com decreto imperial; ergueram fogueiras frias em nome do celestial, e chamaram de justiça o medo institucional. (estrofe 3) Mas o Cristo, entre martelos, não bradou vingança amarga, não convocou legiões nem fechou o céu com carga; “Perdoa-lhes”, disse ao Pai, quando a dor já era larga, fazendo do próprio sangue uma esperança que alarga. (refrão) Se o Mestre abriu os braços na cruz do dissidente, quem sou eu para erguer muralhas contra a mente? Teologia sem amor é deserto inclemente, mas com compaixão floresce até no diferente. (estrofe 4) Quantos livros já queimaram por temer reflexão, como se a dúvida honesta fosse afronta à salvação; esqueceram que a pergunta é semente no coração, e que fé sem escuta vira pedra na mão. (estrofe 5) A história guarda nomes marcados pela espada, como em Giordano Bruno, na fogueira proclamada; e no tribunal que ecoa da Inquisição Espanhola estruturada, onde o medo se vestiu de ortodoxia sagrada. (refrão) Se o Mestre abriu os braços na cruz do dissidente, quem sou eu para erguer muralhas contra a mente? Teologia sem amor é deserto inclemente, mas com compaixão floresce até no diferente. (estrofe 6) Defendo a teologia que dialoga na praça, que prefere a mesa posta à fogueira que ameaça; que aprende com o outro sem perder a própria graça, pois verdade que é eterna não se impõe na raça. (estrofe 7) Quando alguém pensa diverso, não é réu do infinito, é espelho que revela onde é frágil meu escrito; se Deus é amor profundo, não governa pelo grito, mas pelo abraço aberto que transforma o conflito. (refrão) Se o Mestre abriu os braços na cruz do dissidente, quem sou eu para erguer muralhas contra a mente? Teologia sem amor é deserto inclemente, mas com compaixão floresce até no diferente.

