
(estrofe 1) Na praia desperta o primeiro clarão, Enquanto o oceano principia a mudar, Sem voz e sem pressa, em fiel direção, A maré inicia seu eterno dançar. (estrofe 2) Ora se aproxima beijando a areia, Ora se distancia em suave recuo, Como quem escreve uma antiga epopeia No livro das águas em contínuo fluxo. (estrofe 3) Lá no alto, a lua governa em silêncio, Sem tocar as ondas com suas mãos, Mas conduz os mares com manso consenso, Revelando o poder das invisíveis ações. (estrofe 4) Nenhum olhar percebe o laço escondido Que une o céu profundo ao vasto mar, Mas tudo responde ao chamado contido Da força que sabe equilibrar. (refrão) Ó ciclo das marés, constante canção, Que sob a lua aprendes a viver, Ensina ao meu peito que a verdadeira direção Também nasce do invisível poder. (estrofe 5) As conchas aguardam o instante perfeito, Os peixes conhecem o tempo do ir, E o porto recebe, com sereno respeito, As águas que voltam para repartir. (estrofe 6) Nem toda mudança anuncia tormenta, Nem todo recuo significa perder; A maré se afasta, mas sempre sustenta A promessa de novamente crescer. (estrofe 7) Assim seguem séculos, luas e mares, Num pacto silencioso de precisão; Sem romper a ordem dos vastos lugares, Celebram a beleza da criação. (refrão) Ó ciclo das marés, constante canção, Que sob a lua aprendes a viver, Ensina ao meu peito que a verdadeira direção Também nasce do invisível poder. (estrofe 8) Quantas lições repousam na praia, Escritas na espuma que vem e se vai! A vida floresce quando se ensaia Aceitar o ritmo que Deus nos dá. (estrofe 9) Há forças discretas moldando destinos, Como a gravidade abraçando o oceano; Também os afetos, os gestos divinos, Transformam o mundo sem alarde humano. (estrofe 10) Ao deixar a praia no cair do poente, Levei no silêncio esta inspiração: Quem respeita os ciclos caminha prudente, Vivendo em harmonia com a criação. (refrão) Ó ciclo das marés, constante canção, Que sob a lua aprendes a viver, Ensina ao meu peito que a verdadeira direção Também nasce do invisível poder.

