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PROFETAS ERAM FILHOS DE SEU TEMPO

(estrofe 1) Nos mercados antigos erguiam sua voz, entre muralhas, reis e o clamor dos avós; os profetas falavam com fogo no olhar, tentando o invisível ao povo revelar. (estrofe 2) Carregavam na alma o peso da nação, guerras, colheitas secas e opressão; como árvores vergadas pelos ventos do chão, misturavam esperança com indignação. (estrofe 3) Isaías sonhava justiça correndo como rio, Jeremias chorava em noites de frio; mas também havia ecos do mundo em que viveram, das culturas e medos que ao redor conheceram. (estrofe 4) Nem toda sentença lançada em tom severo traduzia plenamente o coração sincero do Deus que conduz a vida para a reconciliação, mesmo quando o profeta falava em punição. (refrão) Profetas eram vozes do tempo em que viveram, homens que entre sombras e luzes perceberam; Deus soprava esperança em sua limitação, como sol atravessando vitrais da tradição. (estrofe 5) Às vezes anunciavam vingança sobre cidades, com imagens duras, cheias de calamidades; como trovões antigos cruzando o temporal, suas palavras nasciam do contexto social. (estrofe 6) Mas no fundo da chama havia um desejo ardente, que o órfão encontrasse abrigo entre a gente; que a viúva esquecida voltasse a florescer, e o pobre tivesse dignidade para viver. (estrofe 7) O Espírito soprava em barro tão humano, misturando eternidade ao limite cotidiano; por isso a Escritura guarda em sua amplidão verdades divinas e ecos da geração. (refrão) Profetas eram vozes do tempo em que viveram, homens que entre sombras e luzes perceberam; Deus soprava esperança em sua limitação, como sol atravessando vitrais da tradição. (estrofe 8) Com o passar das eras cresceu nova visão, como aurora alargando a luz sobre a amplidão; e no ensino do Cristo brilhou com mais clareza o rosto de um Deus marcado pela beleza. (estrofe 9) Então antigas palavras ganharam outro sentido, como rio antigo por novo curso conduzido; o juízo cede espaço ao perdão que refaz, e a espada do medo se dissolve na paz. (estrofe 10) Honramos os profetas, seus clamores e sinais, suas lágrimas sinceras diante dos vendavais; mas acima de toda voz que o tempo produziu, o amor eterno floresce no Deus que Jesus revelou e abriu. (refrão) Profetas eram vozes do tempo em que viveram, homens que entre sombras e luzes perceberam; Deus soprava esperança em sua limitação, como sol atravessando vitrais da tradição.