
(estrofe) Cantam vitórias sobre corpos no chão, O mar se fecha como absolvição, Espadas viram hinos de gratidão, E a morte é chamada de redenção. (estrofe) O povo dança ao ver ruir o rival, Confunde-se justiça com o final, Quando o inimigo cai no vendaval, Deus parece caber no ódio tribal. (estrofe) A fé se veste de aço e exalta o punho, Chama zelo o que é sede de domínio, Celebra o fim do outro como caminho, E chama vingança de santo desígnio. (refrão) Mas Jesus quebra o ciclo da punição, Desarma a mão, refaz o coração, Onde clamam por sangue e condenação, Ele planta perdão e reconciliação. (estrofe) No cântico antigo, a dor vira troféu, A queda do outro sobe até o céu, Mas o choro que ecoa sob o véu Não encontra abrigo nesse cruel papel. (estrofe) A justiça vira conta a ser cobrada, Olho por olho, alma algemada, A história sangra, sempre reiterada, Com a vingança enfim normalizada. (estrofe) Então surge um Mestre sem lâmina ou rei, Que toca feridas que ninguém tocou, Chama inimigo de próximo também, E no perdão extremo tudo inverteu. (refrão) Jesus desfaz a lógica da destruição, Onde vence o amor, não a humilhação, A justiça floresce na restauração, E o perdão interrompe a repetição. (estrofe) Na cruz, o ódio espera retribuição, Mas recebe silêncio e intercessão, Ali morre a fúria como religião, E nasce a paz como revelação. (ponte) Perdão, Senhor, por ter te defendido mal, Reduzi tua luz a um código penal, Usei textos antigos como muralha, Para não encarar o amor que falha. (refrão) Não és o Deus da vingança consagrada, Nem da violência institucionalizada, És o Pai que interrompe a estrada armada, E reconcilia a história estraçalhada. (refrão final) Hoje descanso em Jesus, Deus do amor, Sem exceção, sem sombra de terror, Jamais seria outro o teu esplendor, Conosco és graça, cura e favor.

