
(estrofe 1) Um pingo de chuva toca a pele, feito um recado vindo do céu; desliza suave, pequeno e leve, como um carinho escrito em véu. (estrofe 2) Não precisa de força para encantar, nem de tempestade para surpreender; basta uma gota que venha pousar para acordar sentidos adormecidos no ser. (estrofe 3) Na face, um frescor inesperado, na mão, um instante de sensação; o corpo recebe o presente molhado, e a mente desperta para a contemplação. (estrofe 4) A gota percorre um breve caminho, desenha um traço, depois se desfaz; e deixa no toque um sinal pequenino: a vida também se revela na paz. (refrão) Pingo de chuva, carinho do céu, despertas a pele, renovas o olhar; és breve mensagem, delicado papel, que ensina a sentir antes de passar. (estrofe 5) A chuva não escolhe a mão que alcança, nem pede licença para refrescar; cada gotinha renova a esperança de quem se permite simplesmente notar. (estrofe 6) Há sensações que não fazem barulho, mas mudam por dentro a nossa atenção; um toque desperta um mundo de orgulho por estar vivo em plena estação. (estrofe 7) A pele percebe o que os olhos não veem, o frio ligeiro, o sopro no ar; os sentidos se encontram e também nos leem, fazendo o instante inteiro despertar. (refrão) Pingo de chuva, carinho do céu, despertas a pele, renovas o olhar; és breve mensagem, delicado papel, que ensina a sentir antes de passar. (estrofe 8) A gota que cai não vive isolada, junta-se à terra, ao rio, ao chão; sua pequena jornada, multiplicada, participa do ciclo da renovação. (estrofe 9) Também nossas atitudes, por menores, podem alcançar muito além do que se vê; um gesto de cuidado, entre tantos valores, faz outras vidas florescer. (estrofe 10) Quando a chuva termina e o céu clareia, permanece a lembrança daquele frescor; a pele recorda a gota que passeia, e o coração guarda seu simples valor. (refrão) Pingo de chuva, carinho do céu, despertas a pele, renovas o olhar; és breve mensagem, delicado papel, que ensina a sentir antes de passar.

