Nunca olhes primeiro para um camião. Olha para as mãos de quem o conduz. São elas que seguram o volante quando o sono pesa. Que limpam a chuva do rosto antes de limpar o para-brisas. Que apertam a mão a um desconhecido como se fosse um irmão. São mãos que já embalaram filhos. Que já fecharam caixões. Que já carregaram mochilas, capacetes e sonhos. São as mesmas mãos que um motard levanta num cumprimento. As mesmas mãos que um homem de boina vermelha usa para ajudar primeiro... e perguntar depois. O tempo envelhece a pele. Mas nunca consegue gastar a dignidade. Porque há mãos que não nasceram para pedir aplausos. Nasceram... Para nunca largar quem precisa delas.