
Por Dentro
Por Dentro” Verso I Acordo antes da cidade mas já cansado do dia, há coisas que não se dizem e pesam mais que a vigia. A casa ainda está inteira mas falta‑lhe respiração, como se as paredes soubessem o que eu não sei dizer não. Verso II Trago nomes que não escolhi, gestos que aprendi a repetir, não são fardos nem heranças, são maneiras de existir. Às vezes fico parado só para ver quem sou eu, não o que esperam que eu seja, mas o que em mim sobreviveu. Refrão Não é fuga nem coragem, é só tentar ficar inteiro, há portas que se atravessam sem saber se há chão primeiro. Se eu ficar onde já não caibo não é lealdade, é medo, viver também é escutar quando o silêncio pede espaço dentro. Verso III Vejo gente a passar por mim com pressa de chegar a algum lado, uns falam alto para não sentir, outros calam tudo por cuidado. Aprendi a ouvir devagar o que o corpo insiste em dizer, nem tudo pede resposta, há coisas que só querem ser. Refrão Não é fuga nem coragem, é só tentar ficar inteiro, há portas que se atravessam sem saber se há chão primeiro. Se eu ficar onde já não caibo não é lealdade, é medo, viver também é escutar quando o silêncio pede espaço dentro. Ponte Não procuro nome alto nem razão para explicar, se existe algo maior que nós passa por aqui, sem avisar. Talvez more no gesto simples de não mentir a quem se é, de ficar mais um instante antes de dizer “já sei”. Refrão Final Não é fuga nem coragem, é aprender a respirar, há vidas que se perdem por nunca se atravessar. E se o mundo for pergunta que ninguém sabe fechar, eu fico do lado de dentro onde ainda consigo pensar. ⸻


