Minha mãe teve um jardim tratado com muito esmero, onde punha encantamento em canteiros bem formados. Rosas, cravos, margaridas (ou talvez rainha olga), enfeitavam os canteiros entre as hortênsias e lírios e belos copos-de-leite... Essa flor, que é pura e branca, fecha-se em espiral sobre seu eixo carnudo, foi a minha preferida. Quando eu regava os canteiros, as plantas que gotejavam brilhavam à luz do sol que nos trazia as manhãs... E os belos copos-de-leite mais belos inda ficavam, como dando a entender que a pureza do viver vale a pena se for branca e não se deve sujar. O jardim de minha mãe, como a paz de minha infância, foi meu Eden que perdi e nunca mais encontrei no tempo que estou aqui. Ah... meu Eden...