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03 Presa do Ódio

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V4.5

Presa do Ódio Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* Da tu'alma na funda galeria Descendo às vezes, eu às vezes sinto Que como o mais feroz lobo faminto Teu ódio baixo de alcatéia espia. Do Desespero a noite cava e fria, De boêmias vis o pérfido absinto Pôs no teu ser um negro labirinto, Desencadeou sinistra ventania. Desencadeou a ventania rouca, surda, tremenda, desvairada, louca, Que a tu'alma abalou de lado a lado. Que te infalamou de cóleras supremas e deixou-te nas trágicas algemas Do teu ódio sangrento acorrentado!