
[Verso 1] Abri a janela pro dia entrar O vento vestiu minha sala Teu nome pousou na beira do chá Mas hoje minha boca não fala Na rua, alguém vende flor e limão A vida passando sem pressa Eu deixo a saudade sair pelo portão Sem cobrar o que ela me deve [Pré-refrão] Meu peito, que andava tão pequeno Já quer desatar esse nó Tem tanta manhã no meu corpo Não vou me guardar num amor só [Refrão] O sol não pede licença Pra dourar a minha pele Eu também não peço desculpa Pela vida que me acende Deixa o céu mudar de cor Deixa a rua me levar Meu amor, eu sou inteira Mesmo quando falta um par [Verso 2] Tirei teu retrato de perto de mim Não foi por tristeza ou despeito É que a parede queria um jardim E eu precisava de espaço no peito Comprei duas mangas, voltei devagar Dancei com a sombra na esquina Há coisas que a gente só pode encontrar Depois que se perde a rotina [Pré-refrão] Meu peito, que andava tão pequeno Já quer desatar esse nó Tem tanta manhã no meu corpo Não vou me guardar num amor só [Refrão] O sol não pede licença Pra dourar a minha pele Eu também não peço desculpa Pela vida que me acende Deixa o céu mudar de cor Deixa a rua me levar Meu amor, eu sou inteira Mesmo quando falta um par [Ponte — íntima, crescendo aos poucos] Não digo que não te quero Não digo que esqueci Só digo que, enquanto espero, Não vou me ausentar de mim Se um dia bateres à porta Encontra a janela aberta Mas entra sabendo que agora Meu corpo é quem faz a festa [Refrão final — aberto, com intensidade] O sol não pede licença Pra dourar a minha pele Eu também não peço desculpa Pela vida que me acende Deixa o céu mudar de cor Deixa a rua me levar Meu amor, eu sou inteira Mesmo quando falta um par [Outro — livre, quase falado] Abri a janela... Deixei o dia entrar. O amor pode vir. Eu não vou me fechar.

