
Sua ausência disponível sempre vem ao encontro de minha vontade por você. As coisas seguem, crianças nascem e nós seguimos parados nos perdendo nesse hiato de trinta minutos. Em trinta minutos você chega, por um infinito intenso e atemporal tempo fica e após trinta minutos que minha porta bate, você some em seu silêncio educado, ou não tanto. Em trinta minutos você chega, sua playlist toca, bebemos todas as garrafas de vinho fumando charuto. E nessa mistura, nos perdemos intensos. Em trinta minutos você chega. Nosso hiato juntos é repetidamente bom. Seguimos parados, mas sempre evoluindo. Nossos papos gargalham com as novidades. Não somos nada um do outro, mas temos nossos detalhes que só quem se conhece muito bem sabe. Não temos nada, mas só quem tem muito um ao outro sabe, não de nós dois, mas sobre cada um de nós. Seguimos parados, mas em trinta minutos você chega. Nos entendemos no olhar, na cama, nas risadas. Nos entendemos até no silêncio e nos chamados. Nunca deixamos de nos atender, mas sempre nos afastamos sem falar nada. Seguimos parados, mas em trinta minutos você chega.

