
O frio me visita com as mãos vazias, Não traz motivo, nem rosto, nem nome. É um sobressalto que devora os meus dias, Um bicho invisível que de mim se consome. Olho no espelho e não vejo o abrigo, A mulher que ali mora me é estrangeira. Não confio no passo, nem no que digo, Sou sombra de mim, sou poeira e canseira. "É coisa da mente", eles dizem de longe, Com vozes distantes, de quem não quer ver. O mundo se cala, a ajuda se esconde, Enquanto eu me perco no meu próprio ser. Não há uma porta, não encontro a saída, Neste quarto fechado que o medo inventou. Sou náufraga em terra, na própria vida, Gritando pro nada... que ninguém escutou.

