A noite... nos encontrou... Ele: Sem pedir pra ficar... E o tempo... deixou acontecer... Nada esperava desta cidade... ...desta cidade... Só caminhar sem olhar pra trás. Então chegaste ao cair da luz, ...ao cair da luz... Como quem conhece o que nunca se faz. As conversas mudavam de cor, Sem procurar qualquer conclusão. A madrugada fazia de nós Dois segredos na mesma canção. Nunca perguntei... Nem pelo nome... ...do final. Há silêncios que sustentam O que não precisa explicar. Só a noite conhecia... ...conhecia... O que nascia entre nós. ...entre nós... Não era adeus nem promessa, Era o tempo dando voz. Enquanto a cidade dormia... Dormia... sonhava... Éramos mar e luar. Há amores que permanecem Porque nasceram pra passar. Aprendi a cidade inteira Pelo jeito do teu sorrir. Já não lembro o nome das ruas, ...das ruas... Só o lugar onde te vi partir. Todo verão tem fronteiras Que ninguém consegue enxergar. Chegam leves, quase em silêncio, Como a maré voltando ao mar. O último abraço... ...não pediu lembranças... Nem um caminho... ...pra voltar... Duas sombras seguindo distantes, Sem transformar o agora em saudade. Hoje algumas noites respiram Com o calor que ficou em mim. Já não procuro teu rosto, Sei que o verão teve um fim. O que ainda permanece... ...permanece... Não é teu nome ou teu olhar. É quem eu fui quando contigo A noite parecia durar. Bastava um passo qualquer Pra acreditar sem explicar. Que certos amores existem Só enquanto sabem passar. Só enquanto sabem passar.