
(estrofe) Chamaram-te espada no braço do vento, General celeste em feroz movimento, Te vestiram de ira, escudo e lamento, Como se a guerra fosse teu sacramento. (estrofe) Te puseram marchando à frente do clã, Pisando inimigos na areia e no chão, Fizeram do medo um ato divã, E da vitória, um selo de unção. (estrofe) Quando a fé aprende a rimar com canhão, O sangue parece argumento final, Deus vira bandeira de dominação, E a violência soa espiritual. (refrão) Mas o Pai de Jesus não empunha fuzil, Vence o ódio amando até o fim, Seu poder não mata, faz o mal ruir, É força sem arma, amor tão sutil. (estrofe) O guerreiro descrito reflete a nação, Cercada de impérios, vivendo tensão, Projetou em Deus sua sobrevivência, Confundiu defesa com transcendência. (estrofe) Mas Jesus caminha noutra direção, Desarma a lógica da agressão, Cura o ferido, toca o vilão, E expõe a mentira da santa opressão. (estrofe) No Getsêmani, cai a lâmina ao chão, Quem vive da espada colhe escuridão, Ali se revela a revolução: O mal não se vence pela destruição. (refrão) O Deus revelado no rosto de Jesus Não lidera exércitos, carrega a cruz, Sua vitória é luz que não seduz Pela força bruta, mas pelo amor que conduz. (estrofe) Onde esperavam um leão devorador, Surge um Cordeiro, manso e doador, A guerra perde o nome de louvor, E a paz ganha rosto, gesto e valor. (ponte) Perdão, Senhor, por te defender com punhos, Por chamar de zelo meus velhos arranjos, Troquei teu Reino por trincheiras e muros, Com medo de amar, escolhi escudos. (refrão) Tu não és o Deus das batalhas fatais, Teu combate é curar os nossos ais, Em Jesus revelas, sem rivais, Que o amor desarma os males reais. (refrão final) Hoje descanso em Jesus, Deus-amor, Que vence o mal sem nenhum agressor, Jamais serias outro, nem por clamor, Conosco és Pai, paz e redentor.

