
(estrofe 1) Jacó viu que havia trigo no Egito E disse: "Por que estais a olhar? Descei, comprai para nosso apetite, Para que possamos sobreviver e não penar." José era quem vendia o mantimento, E os irmãos vieram e se prostraram. Ele os reconheceu em seu sentimento, Mas eles dele não se lembraram. (estrofe 2) José falou com dureza, chamando-os espiões, Dizendo que vieram ver a nudez da terra. Mas eles disseram com corações Que eram filhos de um só — sem guerra. "Vosso servo era doze," disseram a ele, "Um já não existe, outro com o pai ficou." José insistiu, testando sua pele, Prendendo-os por três dias, e assim ficou. (estrofe 3) Depois disse: "Se sois verdadeiros, Ficará um, os outros vão com grão. Tragam o caçula, sejais sinceros, E salvareis todos de condenação." Simeão ficou e foi amarrado, José ordenou encher seus sacos de trigo, E pôs seu dinheiro no mesmo lado, Com provisões para o caminho amigo. (refrão) O perdão começa no susto calado, Na memória viva do erro passado. Deus trabalha no tempo dobrado, Mesmo quando o medo está acorrentado. (estrofe 4) Ao ver o dinheiro, eles se espantaram, E disseram: "Que é isso que Deus nos fez?" Voltando a Jacó, tudo contaram, Da prisão, do grão e da solidez. Disseram: "O homem quer Benjamim!" Mas Jacó chorou seu outro filho. "José não é, Simeão ficou assim, E agora quereis levar o menor, meu trilho?" (estrofe 5) Rúben então se ofereceu com dor, "Meus filhos morrerão, se eu não voltar! Porei minha vida em teu favor," Mas Jacó ainda se pôs a chorar. "Benjamim não irá convosco," disse, "Se lhe suceder o que houve a José, Meu velho coração não resiste E na dor descerei de vez." (ponte) Mas mesmo neste drama antigo, Só se revela a luz divina Quando o caminho lembra o Amigo Que perdoa sem vingança ou ruína. (refrão) O perdão começa no susto calado, Na memória viva do erro passado. Deus trabalha no tempo dobrado, Mesmo quando o medo está acorrentado.

