[Verse 1] No alto do Tejo, chamou-se o vento e o ouro antigo ergueu-se em prece Diziam os deuses: “Quem traz o tempo num peito vivo, que o Olimpo merece?” Sobre a pena, caiu o luar e a noite ouviu o seu nome em maré Camões, Camões, a cantar como quem faz do destino uma fé [Pre-Chorus] Então falou Endovélico, grave e frio “Há um homem com fogo na mão” E a serra inteira prendeu o seu fio à voz que guardou esta nação [Chorus] Camões, sobe connosco Camões, entra no alto Teu nome é o nosso rosto Teu verso vence o espanto Camões, sobe connosco (olhai, irmãos, olhai) Se o mar te fez em brasas o Olimpo abre o cais [Verse 2] Vinha de lonje o sal dos caminhos e a dor trazida no lume da pele Mas fez de perdas, faróis e ninhos e de cada cicatriz, uma estrela Diziam Luso, e também Armas e uma deusa de trigo e pão “Ele levou a fome nas palmas e deu-lhe reino, voz e chão” [Pre-Chorus] Então falou a deusa do vale com romãzeiras no manto azul “Quem canta assim não cai, não se exila fica no peito do povo em luz” [Chorus] Camões, sobe connosco Camões, entra no alto Teu nome é o nosso rosto Teu verso vence o espanto Camões, sobe connosco (olhai, irmãos, olhai) Se o mar te fez em brasas o Olimpo abre o cais [Bridge] Endovélico ergueu a mão e a lira antiga fez-se sinal “Que entre o poeta da convocação que fez de Portugal um altar” E veio a bruma sobre os montes e veio a espuma sobre o cais Todos os deuses, com rostos quentes disseram em coro: “Fica e não sais” [Chorus] Camões, sobe connosco Camões, entra no alto Teu nome é o nosso rosto Teu verso vence o espanto Camões, sobe connosco (olhai, irmãos, olhai) Se o mar te fez em brasas o Olimpo abre o cais [Outro] Hoje a bandeira é memória acesa e a língua, um fogo sem fim Camões, de joelhos, na mesma mesa dos deuses que o chamam por fim Camões, sobe connosco Camões, fica em nós