Verso 1 No silêncio da favela ela escrevia Com um resto de pão e utopia Catando palavras no lixo do dia Fez da dor sua poesia Verso 2 Carolina, com nome de realeza Mas a coroa era a pobreza Com seus filhos na fila da mesa E um diário na alma acesa Pré-Refrão Entre páginas manchadas de pão Vivia um Brasil em negação Refrão Ela escreveu, mesmo sem ser convidada Na margem, plantou sua alvorada Com o lixo fez literatura E mostrou a fome com ternura Verso 3 Cada lata que ela empilhava Era um verso que o mundo calava Mas ela gritou com sua caneta Fez da palavra sua baioneta Ponte Não era romancista de salão Era crônica viva do chão Mostrou que o saber também sangra E que a luta é quem melhor nos ensina Refrão Final Ela escreveu, mesmo sem ser convidada Na margem, plantou sua alvorada Com o lixo fez literatura E mostrou a fome com ternura Final Carolina, flor de papelão Rainha do coração do sertão