
Estrofe 1 Foi ali, entre bancos e promessas, Que minha voz tremeu pela primeira vez. Falava do céu, mas com incertezas, Descobrindo em mim a tímida altivez. Estrofe 2 A fé que era herança, sólida e bela, Começou a curvar-se à reflexão. Cada dogma, por mim, posto na tela, Era um quadro à espera de revisão. Estrofe 3 Pastoreava, mas era eu pastoreado Pelas perguntas de quem vinha ouvir. Minhas certezas iam se tornando Convites a pensar e repartir. REFRÃO Senhor, és Tu quem age sem alarde, Semeando em mim um novo olhar. Através de vozes, livros e verdades, Tu me ensinaste o que é pastorear. Estrofe 4 Vi no rosto do irmão suas urgências E entendi que orar é escutar. Que pastorear não são sentenças, Mas gestos que sabem acompanhar. Estrofe 5 O púlpito virou espelho e ponte: Espelho onde via meu temor, E ponte para além do horizonte, Caminho que unia dúvida e amor. Estrofe 6 Não bastava repetir o aprendido, Era preciso discernir com humildade. Pois o Evangelho, sempre reescrito, Se encarna de novo em cada realidade. REFRÃO Senhor, és Tu quem age sem alarde, Semeando em mim um novo olhar. Através de vozes, livros e verdades, Tu me ensinaste o que é pastorear. Estrofe 7 Na dor do outro, aprendi liturgias Feitas de pranto e silêncio bendito. Comunguei o pão das agonias E vi que o altar começa no aflito. Estrofe 8 Já não falava para que me ouvissem, Mas para que pudessem respirar. E os que vieram crer, não me seguissem, Mas ao Cristo que quis se entregar. PONTE Rendo honra aos que moldaram minha estrada, Aos que me ouviram, mesmo sem razão. Cada gesto, palavra, jornada Fez-se Teologia em gestação. REFRÃO Senhor, és Tu quem age sem alarde, Semeando em mim um novo olhar. Através de vozes, livros e verdades, Tu me ensinaste o que é pastorear. REFRÃO FINAL Hoje me alegro, pois sei quem és, ó Amor, Maior que o ego e nosso saber fugaz. És um Mistério que se doa em flor E nos acolhe mesmo sem jamais ter paz.

