
O ALQUIMISTA Sou alquimista das sílabas, artífice do verbo, Nos frascos de cristal, misturo prosa e verso. Cada palavra, um elixir, cada rima, um feitiço, Destilo emoções no caldeirão do meu ofício. Com cuidado, peso as letras na balança do sentir, Dou voz ao silêncio, faço o eco sucumbir. No atanor do tempo, fundo ouro e prata, Transformo suor em perfume, dor em fábula grata. As paixões fervem, borbulham no cadinho, Destilo essências do amor, do sonho, do carinho. Versos são vapores que ascendem ao céu, Prosas, raízes que buscam o solo, fiel. Nas retortas da alma, os sentimentos se condensam, E as sílabas, como pérolas, aos poucos se compensam. Cada poema é uma pedra filosofal, Um elixir de eternidade, um brilho imortal. Misturo o som das estrelas com o sussurro do vento, Destilo o luar, o orvalho, o próprio firmamento. E no fim, o que resta é o aroma sutil, Da poesia que nasce, do verso que é febril. Sou alquimista das palavras, artesão do sentir, No laboratório da vida, sigo a criar e a existir. Pois sei que a magia não está no ouro ou na prata, Mas no verso que ecoa, na paixão que se desata

