
(estrofe 1) Depois da revolta, ergueu-se a multidão, Carregando no peito medo e inquietação, E disseram que uma praga, em súbita aflição, Varreu milhares em severa punição. (estrofe 2) Catorze mil vozes silenciaram no chão, Como folhas levadas por forte ventania de verão, E eu temi por anos Tua suposta indignação, Pensando que a dúvida gerasse destruição. (estrofe 3) O deserto tornou-se cenário de consternação, E o sofrimento foi chamado de Tua ação, Como se o Deus da vida, em rígida decisão, Ferisse Seus filhos em massa e sem compaixão. (estrofe 4) Mas dentro de mim crescia a interrogação, Se o Amor infinito sustenta toda a criação, Como transformaria fragilidade e confusão, Em motivo para coletiva condenação? (refrão) Perdão Senhor, não és o Deus da devastação, Que espalha morte para impor submissão, Em Jesus Cristo vejo consolo e restauração, Teu amor protege a vida com infinita compaixão. (estrofe 5) Então Te vi tocando corpos feridos pela dor, Curando sem exigir perfeita compreensão do amor, E compreendi que Tua mais profunda intenção, É levantar os caídos com suave mão. (estrofe 6) Te vi chorando diante do túmulo e da saudade, Transformando lágrimas em solidariedade, Pois Tua força não se revela em punição, Mas na ternura que sustenta o coração. (estrofe 7) Teu olhar alcança a massa e cada ser, Conheces o invisível de todo viver, E jamais converterias medo e agitação, Em decreto de mortal destruição. (refrão) Perdão Senhor, não és o Deus da devastação, Que espalha morte para impor submissão, Em Jesus Cristo vejo consolo e restauração, Teu amor protege a vida com infinita compaixão. (estrofe 8) Quantos ainda carregam pavor em oração, Imaginando o céu como ameaça e punição, Como se o menor erro ou simples hesitação, Pudesse atrair sobre si devastação. (estrofe 9) Mas Tu és como chuva que fecunda o chão, Como brisa que acalma após a escuridão, E ao invés de esmagar a humana limitação, Conduzes cada alma à transformação. (estrofe 10) Hoje percebo que antigos textos de aflição, Guardam marcas do tempo e de sua interpretação, Mas em Cristo encontro, sem medo ou confusão, O verdadeiro Deus de amor e reconciliação. (ponte) Falhei ao anunciar um Deus de punição, Ao confundir tragédia com revelação, Ao não ver que Tua eterna vocação, É curar o mundo com misericordiosa ação. (refrão) Perdão Senhor, não és o Deus da devastação, Que espalha morte para impor submissão, Em Jesus Cristo vejo consolo e restauração, Teu amor protege a vida com infinita compaixão. (refrão final) Descanso em Ti, Jesus, refúgio e calor, Jamais serias epidemia, medo ou terror, És Deus que acompanha com graça e favor, E permaneces para sempre absoluto amor.

