
Estrofe 1 Ouvi de cor as frases decoradas, No berço santo da oral tradição. Palavras doces, fórmulas seladas, Firmaram cedo a minha convicção. Estrofe 2 Mas veio o tempo em que o coração, Já não se aplaca só com repetência. Pedia luz, pedia encarnação, De cada verbo em sua real essência. Estrofe 3 Pois o que diz a boca sem saber, Um dia clama por viver sentido. E foi assim que vi-me a refazer A fé que nunca fora um só ouvido. REFRÃO Ó Deus que agiste sem fazer alarde, Na infância e no pensar amadurecido: Usaste a vida, o erro e o estandarte Pra me ensinar Teu nome no sentido. Estrofe 4 Dizer “Jesus” já não bastava mais, Se o Cristo vivo não ardia em mim. Chamar de Pai sem gesto e nunca em paz Fazia a infância soar por um fim. Estrofe 5 “Cordeiro” era apenas metáfora, Até que a dor me mostrou o Calvário. E só então ganhei outra aurora: Na cruz, o dito virou santuário. Estrofe 6 “Amor” já fora apenas catecismo, Mas vi-o enfim num gesto, num olhar. Palavra antiga rompeu o abismo E fez-se carne no meu caminhar. REFRÃO Ó Deus que agiste sem fazer alarde, Na infância e no pensar amadurecido: Usaste a vida, o erro e o estandarte Pra me ensinar Teu nome no sentido. Estrofe 7 “Glória”, “salvação”, “eternidade”: Ecoavam no templo, sem notar. Mas, quando o tempo roeu a vaidade, Tais termos começaram a pulsar. Estrofe 8 E quando vi que tudo é linguagem, Pedi silêncio à alma pra escutar O Deus que habita além da imagem E fala mais no ser do que no falar. PONTE Bendigo os mestres, cultos ou anônimos, Que me ensinaram a decifrar a voz. Também louvo os tropeços harmônicos Que me trouxeram Deus falando em nós. REFRÃO Ó Deus que agiste sem fazer alarde, Na infância e no pensar amadurecido: Usaste a vida, o erro e o estandarte Pra me ensinar Teu nome no sentido. REFRÃO FINAL Agora canto em santa liberdade: Teu amor é vasto, pleno, irrestrito. Não cabe inteiro em minha humanidade, Mas transborda em mim, bendito e infinito.

