
Segunda-feira de seu verdadeiro nome, ira acorda sempre primeiro com o mundo atravessado na garganta atira-se para fora da cama como quem vai para a guerra sem nunca saber porquê Terça-feira conhecida por orgulho endireita a coluna veste a personagem ensina os dentes ao espelho como se já tivesse vencido alguma coisa invisível Quarta-feira nasceu no meio, inveja olha para os lados como quem ficou para trás compara silêncios e cansa-se de não ser outra vida todas as segundas acordo diariamente no mesmo dia sempre de olho no mesmo no mesmo objectivo final o de ser ordenhado adoro quando sou bem ordenhado vem o fim do mês e eu finjo que valeu este ciclo perfeito onde nada é meu Quinta-feira responde por gula engole horas inteiras consome promessas mastiga pressa sem nunca se saciar Sexta-feira mais conhecida por luxúria cheira a liberdade emprestada toca tudo ao de leve como se fosse eterno ilusão vestida de desejo que acaba antes de começar Sábado decidiram chamar-lhe preguiça e ficou ainda de pijama deitado sobre si próprio a adiar o mundo com arte Domingo de seu verdadeiro nome, avareza guarda o tempo que resta conta horas como moedas recusa gastá-las com medo de segunda e perde tudo sem nunca usar nada todas as segundas acordo diariamente no mesmo dia sempre de olho no mesmo no mesmo objectivo final o de ser ordenhado adoro quando sou bem ordenhado vem o fim do mês e eu finjo que valeu este ciclo perfeito onde nada é meu

