
(Estrofe 1) Na lei antiga, ao redor do altar, nem todo corpo podia chegar, pois marcas da carne, no olhar sacerdotal, viravam barreira no rito formal. (Estrofe 2) Levítico ergueu, com linguagem severa, um filtro de forma, medida e quimera, como se a beleza do santo esplendor pedisse um corpo sem traço de dor. (Estrofe 3) A deficiência, então, foi lida como distância litúrgica da vida, e quem tinha limites no próprio existir via-se impedido de ali servir. (Estrofe 4) Era a religião da aparência guardada, da mesa sagrada por poucos cercada, como se o Eterno, em sua amplidão, medisse pessoas pela conformação. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová da exclusão, que pesa o corpo e rejeita a imperfeição, em Jesus brilha outra revelação: os marginalizados são centro do Reino e do coração. (Estrofe 5) Então vem Jesus pelas estradas, entre feridos, cegos e vidas quebradas, e não os coloca à margem, sem voz, mas faz deles sinal do Reino entre nós. (Estrofe 6) O coxo, o pobre, o cego, o cansado, o peito abatido, o corpo marcado, todos encontram no Cristo Senhor não porta fechada, mas dignidade e amor. (Estrofe 7) No grande banquete que Ele anuncia, os últimos entram com primazia, e os antes negados à religião ocupam o centro da nova visão. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová da exclusão, que pesa o corpo e rejeita a imperfeição, em Jesus brilha outra revelação: os marginalizados são centro do Reino e do coração. (Estrofe 8) Percebo agora que por muitos anos confundi Teu rosto com filtros humanos, e chamei de pureza, sem perceber, o medo de conviver com outro viver. (Estrofe 9) Mas Cristo revela, com gesto profundo, que o santo de Deus não copia este mundo, nem faz da limitação uma prisão, nem da diferença uma condenação. (Estrofe 10) Teu Reino não nasce do corpo ideal, nem do padrão aceito no templo ritual, mas da graça que acolhe sem divisão e faz de cada vida santa habitação. (Ponte) Perdoa-me, Senhor, por tantas doutrinas frias, por chamar de tua voz velhas hierarquias, por não notar que o amor, quando é verdadeiro, não mede valor por padrão corporeiro. (Refrão) Perdão, Senhor, não és o Jeová da exclusão, que pesa o corpo e rejeita a imperfeição, em Jesus brilha outra revelação: os marginalizados são centro do Reino e do coração. (Refrão Final) Agora descanso em Jesus, Deus-Amor, que nunca despreza a marca da dor, jamais serás outro conosco, Senhor: és graça sem muros, és vivo valor.

