Mudez perversa Últimos Sonetos, de Cruz e Souza, 1905 "post mortem" ******* Que mudez infernal teus lábios cerra Que ficas vago, para mim olhando, Na atitude da pedra, concentrando No entanto, n’alma, convulsões de guerra! A mim tal fel essa mudez encerra, Tais demônios revéis a estão forjando Que antes te visse morto, desabando Sobre o teu corpo grossas pás de terra. Não te quisera nesse atroz e sumo Mutismo horrível que não gera nada, Que não diz nada, não tem fundo e rumo. Mutismo de tal dor desesperada, Que quando o vou medir com o estranho prumo Da alma fico com a alma alucinada!