
Trouxe um altar esquecido de uma feira Abri as portas e lá dentro alguém esperava À noite alguém falou de luz numa sala nova e eu sentei-me como quem já esteve sem lembrar Vita brevis ars longa Abre a tampa e deixa o fumo subir Há coisas que só nascem quando deixas o fogo decidir Na Trofa alguém acendeu o forno Mil graus e depois silêncio O cobre aparece onde menos esperas O craquelado é bonito porque partiu Vita brevis ars longa Abre a tampa e deixa o fumo subir Há coisas que só nascem quando deixas o fogo decidir Caldo verde na toalha vermelha Seis pessoas que ontem não se conheciam Nos alfarrabistas o tempo não passa Os livros esperam por quem os sabe abrir Um assobio antigo imitava o vento Mas eu estou vivo e tenho as mãos sujas A beleza que não se controla É a única que vale a pena ter Vita brevis ars longa Abre a tampa e deixa o fumo subir Há coisas que só nascem quando aceitas não saber

