
Tem gente dormindo com o céu de cobertor E outros reclamando do ar-condicionado Tem prato sobrando, tem fome e dor No mesmo país, no mesmo lado Criança aprendendo cedo a perder Enquanto outra nem sabe o que é faltar Um sonha em viver, outro em aparecer Do mesmo chão, mas não do mesmo lugar Pré-refrão Não é destino, nem vontade divina É escolha antiga que nunca termina O sistema pesa sempre no mais fraco E chama de mérito o próprio fracasso Refrão Não me diz que é justo assim Se a largada nunca foi igual Quando uns têm tudo desde o fim E outros só conhecem o final A desigualdade não é natural É construída todo dia, é estrutural Se a dor do outro não te dói Talvez o problema seja moral Verso 2 Tem talento preso na sobrevivência Tem futuro barrado na cor da pele Tem gente vivendo sem assistência E quem decide nunca desce da pele Trabalho duro que não vira pão Promessa vazia de oportunidade Enquanto poucos concentram a mão Na riqueza feita da desigualdade Pré-refrão Não é inveja, é sobrevivência Não é discurso, é vivência Não é vitimismo, é realidade Que insiste em virar normalidade Refrão Não me diz que é justo assim Se o jogo já começa desigual Uns sobem usando o fim De quem nunca teve o essencial A desigualdade não é natural É política, é social Enquanto o luxo grita alto A fome morre em silêncio brutal Ponte Quantas vidas cabem no lucro? Quantos sonhos viram estatística? Quando o direito vira privilégio A injustiça deixa de ser crítica Não basta olhar, tem que enxergar Não basta saber, tem que agir Justiça não é caridade É deixar todo mundo existir Refrão final Não me diz que é assim que tem que ser Se dá pra mudar a direção Quando todo mundo puder viver Com dignidade e condição A desigualdade não é normal É ferida aberta, social Curar começa quando a gente entende Que ninguém solta a mão de ninguém no final Outro Do mesmo chão a gente veio Do mesmo chão a gente cai Ou a gente divide o futuro Ou ele não chega pra ninguém jamais.

