
[Verso 1] Passei por ti na rua sem querer, o rádio do carro tocava Amália. O teu casaco amarelo-canário ainda me leva à infância na sala. **Disseste “olá” com os olhos cansados,** mas não paraste — como no costume. Eu sorri com aquele atraso que só os tontos têm por costume. [Refrão] E eu fiquei ali, no meio do caminho, entre dizer o que sinto e fingir que é só vizinhança. Meio riso, meio frio, meio velho, meio menino. Meio de mim ainda dança quando penso em ti. [Verso 2] Liguei o gravador de cassetes, só pra ouvir o chiado do tempo. As fitas que fizemos juntos já não tocam — mas fazem vento. **O cão do vizinho ladra sempre igual,** os velhos da rua discutem o Benfica. E eu ainda aqui, a meio da vida, com restos de ti nas entrelinhas. [Refrão] E eu fiquei ali, no meio do caminho, entre dizer o que sinto e fingir que é só vizinhança. Meio tonto, meio certo, meio raso, meio aberto. Meio de mim ainda dança quando penso em ti. [Ponte – falado, em tom íntimo] Se me tivesses dito só mais uma frase, talvez eu tivesse seguido noutro sentido. Mas às vezes, o silêncio é mais afinado do que qualquer refrão bem escrito. [Refrão final – com coros suaves e sintetizador vintage] E eu fiquei ali, no meio do caminho, a meio de um disco, sem fim nem destino. Meio céu, meio rua, meio sombra tua. Meio de mim ainda dança quando penso em ti.

