
(estrofe 1) Dos montes ecoou antiga proclamação, Como se o céu vestisse uma só bandeira e nação, E Balaão viu, em sua contemplação, Um Deus descrito como escudo de uma população. (estrofe 2) Os vales ouviram palavras de exaltação, Promessas de força, vitória e proteção, E eu pensei que o Eterno, em parcial decisão, Escolhia um povo para sobrepor-se à multidão. (estrofe 3) Como muralha erguida em torno do chão, A fé tornou-se fronteira e distinção, E muitos confundiram eleição Com privilégio e não com missão. (estrofe 4) Mas meu coração fez profunda indagação: Se Tu criaste toda língua e toda nação, Como reduzirias Tua imensidão Ao mapa estreito de uma só região? (refrão) Perdão Senhor, não és Deus de partição, Nem defensor de orgulho e segregação, Em Jesus Cristo vejo universal reconciliação, Teu amor abraça inteira a criação. (estrofe 5) Então Te vi conversando junto ao poço com ternura, Com a Mulher Samaritana, rompendo antiga fissura, Mostrando que a graça, em sua formosura, Ultrapassa fronteiras com divina doçura. (estrofe 6) Te vi curando a filha da estrangeira em aflição, E louvando a fé nascida fora da tradição, Pois Tua verdade não depende de posição, Mas de um coração aberto à compaixão. (estrofe 7) Teu Reino é como mesa em celebração, Onde há lugar para toda condição, E ninguém precisa de passaporte ou certidão Para receber amor e perdão. (refrão) Perdão Senhor, não és Deus de partição, Nem defensor de orgulho e segregação, Em Jesus Cristo vejo universal reconciliação, Teu amor abraça inteira a criação. (estrofe 8) Quantos ainda Te vestem com brasão, Como se preferisses um hino ou uma constituição, Quando Teu Espírito sopra em expansão, Como vento livre sobre toda nação. (estrofe 9) Tu és como oceano sem delimitação, Que toca continentes em silenciosa união, E jamais converterias a religião Em instrumento de rivalidade e divisão. (estrofe 10) Hoje releio Números com nova percepção, Reconhecendo ecos de antiga interpretação, Mas em Cristo encontro a plena revelação: Teu rosto é paz, inclusão e comunhão. (ponte) Falhei ao imaginar-Te preso a uma fronteira, Ao confundir Teu Reino com uma trincheira, Ao não perceber que Tua bondade verdadeira Faz da humanidade uma só família inteira. (refrão) Perdão Senhor, não és Deus de partição, Nem defensor de orgulho e segregação, Em Jesus Cristo vejo universal reconciliação, Teu amor abraça inteira a criação. (refrão final) Descanso em Ti, Jesus, abrigo e calor, Jamais serias bandeira, disputa ou temor, És Deus que acolhe o mundo com infinito favor, E permaneces conosco em perfeito amor.

