
Tu nasceste assim. Assim pequeno de tão grande que eras aos olhos daqueles que te observavam. Calar a voz de quem nem precisa falar, a quem basta a presença para se tornar no obstáculo a abater. Apenas por ser! Nascemos calados e prontos a ser silenciados, na teia da ilusão, quase todos cairão. A simplicidade é uma inimiga e a pureza um alvo a abater. Tu nasceste puro em amor. O amor indecifrável, não contido nos nomes que a invenção mascarada de inovação lhe concedeu. Tu nasceste puro em amor, visto como um rebelde a silenciar, a recrutar, a automatizar... A vida caminhou segura nas cordas de quem as encaminhou, cada vez mais entorpecida nos enredos manipulados. Tu acordaste dentro do sonho e a busca em ti se manteve, mas ficaste demasiado deslumbrado com os acasos tão bem compassados. Estavas enebriado. A vida à procura... à procura da essência que te foi entregue sem cedências, sem necessidades, sem recompensas, sem dor. Chamava-se amor. Não esmoreças. lá chegarás. As pontes são finitas e o caminho não carece de chão, nem tão pouco de rebelião. Em ti está, em ti é. O segredo mais bem guardado e por eles apagado. Não necessitas de brilho,apenas regresso. Não te distraias, a um passo estás de manifestar a essência primordial. O ponto zero. Tu nasceste e tu és! Tu és!
