
(estrofe 1) No campo seco onde o povo semeia esperança na terra comum, ergueu-se uma voz que repreende a ideia de dividir o pão com mais algum. (estrofe 2) Entre decretos, sermões e alianças firmaram pactos discretos de poder, enquanto marchavam pobres e crianças pedindo apenas o direito de viver. (estrofe 3) Nas ruas cresciam cantos de justiça, como rios rompendo o chão, mas nos salões da antiga premissa tentavam conter tal multidão. (estrofe 4) E o púlpito, que deveria acolher o clamor dos que sofrem na estrada, por vezes se pôs a defender a ordem já tão privilegiada. (refrão) Quando o altar se curva ao poder, e esquece o pranto do chão ferido, a fé deixa de proteger aquele que clama oprimido. (estrofe 5) Cartazes erguidos ao vento da praça falavam de terra, trabalho e pão, mas foram tratados como ameaça à calma do velho salão. (estrofe 6) Assim o silêncio foi recomendado como virtude de devoção, enquanto o sonho compartilhado era chamado de rebelião. (estrofe 7) E a cruz, símbolo de solidariedade, que nasceu junto aos marginalizados, foi usada para legitimar autoridade de poucos sempre privilegiados. (refrão) Quando o altar se curva ao poder, e esquece o pranto do chão ferido, a fé deixa de proteger aquele que clama oprimido. (estrofe 8) Mas a memória dos campos guarda vozes que a história não apagou, pois cada justiça que tarda um dia desperta e ecoou. (estrofe 9) A fé que recorda o Evangelho vivo escuta primeiro o clamor popular, pois o Reino não nasce cativo de quem deseja apenas mandar. (estrofe 10) E assim a esperança retorna ao caminho onde justiça e compaixão caminham, pois Deus não habita sozinho nas casas onde os pobres não entram. (refrão) Quando o altar se curva ao poder, e esquece o pranto do chão ferido, a fé deixa de proteger aquele que clama oprimido

